segunda-feira, 17 de maio de 2010

PAULISTAS X CARIOCAS – MELHOR DE TRES – SÃO JANUÁRIO – 1937

Saudações Tricolores

Afinal fui conhecer a Cidade Maravilhosa, após 12 horas sofridas num assento duro do Brás á Central do Brasil.
Meu querido tio, diretor do Botafogo, nos alojou, eu, meu pai e meu primo campineiro, nas arquibancadas do campo do Vasco em São Januário.
A façanha de assistir essa disputa costumeira, provocou-nos arrepios e grande sofrimento. Era mais uma disputa quase sempre decidida a favor da antiga Capital Federal. Constava que o sorteio das bolinhas, sempre eliminava os campos paulistas, porque os cariocas, malandros, gelavam a bolinha da sacola, não errando a escolha do campo carioca. Si no é vero...
O jogo começou e Lima, o baixinho meia do Palestra, com seu gorrinho verde, balançou as redes de Jurandir, (ex São Paulo), logo aos 6 minutos de jogo.
Eu e o primo paulista, com toda a inocência de jovens, fomos as duas únicas vozes de gritos e aplausos, naquele campo lotado. Mas ninguém nos apupou, talvez por considerarem uma virada imediata. E assim, decorreu todo o 1º tempo, com botinadas de Agostinho pelo Rio e de Pardal do São Paulo que estreava na ponta esquerda paulistana. Fogo no gramado!
O juiz, o famoso Mário Viana, concedeu no 2º tempo, 6 minutos de prorrogação, naquela noite inesquecível de glória.
A nossa meta ficou invicta e recordo-me do Patesko, famoso botafoguense também ponta esquerda, com seus petardos às traves de São Paulo.
O jogo terminou com o desconsolo e inconformismo da torcida e nós, meu tio e o primo campineiro, rindo por dentro e por fora. Meu pai não havia resistido o sofrimento e voltou para o hotel a 20 minutos do 1º tempo.
O retorno foi tranqüilo. Eu no estribo do bonde, não resisti a uma dor de barriga nervosa e fui obrigado a descer correndo para o WC de um bar.
Comemorei em tempo nossa vitória, sentado naquele trono incrivelmente desimpedido e limpo! Milagre de S. Sebastião...
Nem a visita ao Cristo e a beleza das praias, ficou tão gravada nos meus “anais”.

VIVA NÓIS!

Helio Motta Mello

2 comentários:

  1. Hahahaha
    Muito bom!

    O senhor pegou o Cristo Redentor "recém-construído". Passados apenas seis anos de sua inauguração!

    Fiquei imaginando todas as cenas retratadas no texto...

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  2. Realmente Bruno, foi uma noite um pouco atribulada, mas cheia de glórias!

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